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Saiba mais sobre nosso diesel renovável, um produto mais eficiente e amigável ao meio ambiente

14.set.2020

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Nosso especialista explica características e benefícios do novo combustível, aprovado em testes em escala industrial

Você sabia que óleo de amendoim já foi usado como combustível no início do século passado? Esse fato curioso mostra que o uso de matéria-prima vegetal na produção de combustíveis não é novidade. Só que o que começou de forma mais incipiente, agora avança e se torna muito mais eficiente. Já é possível produzir a partir de uma fonte renovável um produto quimicamente idêntico ao petróleo. 

Nosso especialista, Ricardo Rodrigues da Cunha Pinto, explica nessa entrevista como foi o caminho para o desenvolvimento desse novo produto, já testado em escala industrial de forma bem sucedida pela Petrobras, que ainda depende de regulamentação pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para ser comercializado no Brasil.

Quais as principais características e benefícios do diesel renovável?

Ricardo - O diesel renovável é produzido com a utilização de óleo vegetal ou gorduras animais, por meio de um método mais moderno que o usado para o biodiesel atual. O processo pode ocorrer em unidades dedicadas ou em conjunto com o óleo diesel mineral (derivado do petróleo) em unidades de processamento dentro de refinarias de petróleo. A parcela de origem renovável obtida no produto é quimicamente idêntica ao óleo diesel mineral, trazendo inclusive melhorias na qualidade final do óleo diesel para o consumidor.

Estudos apontam que o diesel renovável traz reduções, para o mesmo óleo vegetal de origem, de cerca de 15% das emissões de gases de efeito estufa em relação ao biodiesel e de 70% em comparação ao óleo diesel mineral. Ele é isento de contaminantes e não envolve metanol em seu processamento. Além disso, tem maiores estabilidades térmica e à oxidação, o que confere maior qualidade no armazenamento e na utilização em motores a diesel. Assim, não causa danos aos motores, aumentando, na prática, a vida útil dos veículos e reduzindo o custo dos transportes.

Outra vantagem é que pode ser produzido com tecnologia já existente de refino, sem a necessidade de unidades industriais específicas para essa finalidade. Por isso, nossas refinarias já estão plenamente equipadas para produzir um diesel de alta qualidade, com conteúdo de origem vegetal, atendendo a todas as especificações. Exemplo disso é que já realizamos testes bem sucedidos de produção em larga escala na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná.

O que falta então para viabilizar, em escala industrial, a produção deste diesel de forma regular? 

Ricardo – A especificação do produto está em discussão pelos órgãos competentes e ainda depende de regulamentação pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para ser comercializado no Brasil. Atualmente, encontra-se em fase de consulta pública e a expectativa é que tenhamos uma definição ainda neste ano.

Por que o diesel renovável é melhor que o biodiesel?

Ricardo - O biodiesel base éster foi o primeiro tipo de biodiesel a ser introduzido na matriz de combustíveis e, mesmo tendo uma parcela de combustível fóssil na sua molécula (oriunda do metanol), serviu de referência como biocombustível durante décadas. Sua utilização compulsória foi introduzida no Brasil em 2008 e vem sendo aumentada gradativamente. Mas, à medida que a ampliação da parcela de biodiesel no diesel aumenta, a presença de glicerinas, típicas desse combustível, cresce também, o que vem contribuindo para a ocorrência de graves problemas em bombas, bicos injetores e filtros dos veículos a diesel. Além disso, tem a questão dos contaminantes metálicos presentes e sua incompatibilidade com os catalisadores de tratamento dos gases de exaustão dos veículos, inviabilizando o uso das tecnologias conhecidas atualmente para atender aos requisitos de redução de emissões. 

Nesse sentido, o diesel renovável é quimicamente mais estável que o biodiesel e apresenta uma série de vantagens: não contém glicerina nem contaminantes metálicos e suas moléculas são iguais às do óleo diesel mineral. Ou seja, é um combustível que pode ser misturado ao óleo diesel sem restrições e não apresenta problemas de compatibilidade com as infraestruturas e motores de veículos já existentes e com as novas gerações de motores a diesel. Também apresenta maiores estabilidades térmicas e à estocagem, além de elevado número de cetano, propriedade que mede a qualidade de ignição em motores diesel. 

Qual a importância dos biocombustíveis para a redução das emissões?

Ricardo - A evolução dos combustíveis automotivos sempre aconteceu acompanhada do desenvolvimento de novas tecnologias veiculares com o objetivo final de melhorar a qualidade do ar. Nessa avaliação, devem ser considerados dois aspectos importantes: a redução da emissão dos gases causadores do efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO2), e a redução da poluição local, como, por exemplo, as emissões de óxidos de nitrogênio, que podem provocar doenças respiratórias, e de aldeídos, que levam à formação de ozônio na atmosfera. 

No caso dos biocombustíveis, a sua evolução também segue os mesmos princípios. O uso de matérias primas renováveis permite a remoção de carbono da atmosfera e esse aspecto deve ser avaliado pelas metodologias de Análise de Ciclo de Vida (ACV), considerando as emissões do “berço ao túmulo” para que essa descarbonização seja efetiva. 

A evolução da tecnologia de motores no século XXI voltou a exigir novas evoluções para atendimento aos limites de emissões cada vez mais restritivos. Essas mudanças evidenciaram as limitações do biodiesel base éster devido a características inerentes às suas moléculas e aos contaminantes inseridos e não removidos em seu processo de produção que podem trazer problemas aos veículos atuais. Já o diesel renovável é obtido a partir de matérias primas 100% renováveis, o que é uma vantagem em relação ao biodiesel base éster para a descarbonização da atmosfera.

Ele traz ainda uma vantagem adicional, pois sua produção pode ser associada à do bioquerosene de aviação. A Organização da Aviação Civil Internacional criou um programa para a redução até 2050 de 50% das emissões de gases de efeito estufa relativas ao ano de 2005. A utilização de biocombustíveis de aviação é muito importante para o sucesso desse programa que será obrigatório para todos os países membros da OACI, como o Brasil, a partir de 2027.

Quais serão os benefícios diretos para o consumidor?

Ricardo - O diesel renovável possui já ampla utilização em diversos países da Europa e nos Estados Unidos e é o combustível renovável que mais cresce no mundo. Sua adoção, seguindo padrões mundiais de qualidade e eficiência, certamente vai gerar benefícios financeiros e de qualidade para o consumidor e para segmento automotivo, melhorando o desempenho e a durabilidade dos motores, e para toda a sociedade, com a redução das emissões de gases do efeito estufa. Além disso, contribui para deixar o Brasil preparado para as tecnologias de motores mais modernas que estão sendo introduzidas e às regras mais rigorosas de controle de emissões veiculares. 

É importante destacar que, para não causar aumento do preço do combustível ao consumidor final, o diesel renovável deve ser adotado dentro da parcela de biocombustíveis já adicionados ao óleo diesel mineral, uma vez que os custos de produção do diesel renovável estão nos mesmos patamares dos do biodiesel. Isso faria com que a sociedade em geral, e principalmente os consumidores, pudessem usufruir das vantagens do diesel renovável sem sentir impacto no bolso. 

E um benefício adicional é que, além de contribuir para um novo ciclo de sustentabilidade no setor de transportes, a produção em larga escala no Brasil pode ajudar também a reduzir nossos gastos com importação de óleo diesel.

 

Postado em: [Produtos e Serviços]